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Pode amamentar deitada?



CLARO QUE PODE! - Por Luciana Freitas


Mamar no peito com o bebê deitado é totalmente diferente de tomar mamadeira com o bebê deitado. A questão é que muitos profissionais de saúde desconhecem esse fato e dão as mesmas orientações para duas situações distintas.


Quando o bebê mama no peito, a tuba auditiva é fechada pela valécula e, portanto, o leite não passa para o ouvido como passa quando ele toma mamadeira. Na hipótese de passar algo, o LM tem propriedades anti-infecciosas; assim é muito diferente a tuba ser invadida por LA e por LM.

Pode voltar algo ao ouvido do bebê que mama no peito por refluxo, por isso sempre orientamos a subir um pouco a cabecinha do bebê, com o próprio braço da mãe ou um travesseirinho. Se o bebê mamar de pé e deitar de lado em seguida, o risco do retorno por refluxo é idêntico.

Otite é uma doença super comum em bebês, então atribuir sua causa ao fato de o bebê mamar deitado um equívoco.

Vamos parar para pensar um pouco?

1) Como as índias amamentam? Sentadas na cadeira de amamentação? Como as mulheres da pré-história amamentavam? Também na cadeira de amamentação ou deitadas? Se isso causasse otite, a humanidade não teria sobrevivido, né? Afinal, naquela época não existia cadeira de amamentação nem antibióticos para curar otites...


2) Quem está em posição diferente? A mãe ou o bebê?

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Fácil de observar que quem está em posição diferente é a MÃE, não o bebê... Então, no que a mudança de posição da MÃE causaria otite no BEBÊ? Isso tem lógica?


Passando desse simples raciocínio lógico aos argumentos de autoridade.

Diz a Febrago (Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia) em seu manual sobre aleitamento:

"4. POSIÇÃO DA MÃE

Há várias possibilidades de posições para amamentar. A mulher deve escolher a mais confortável que a deixe mais relaxada naquele momento.

Deitada:–Ela pode deitar-se de lado, apoiando a cabeça e as costas em travesseiros. O bebê deverá permanecer também deitado de lado proporcionando o contato abdome/abdome. Os ombros do bebê devem ser apoiados com os braços da mãe para manter a posição adequada.

–A mulher pode ainda deitar-se em decúbito dorsal (posição útil para as primeiras horas pós-cesariana ou para aquela mulher que tem excedente lácteo muito grande). A criança deve ficar deitada em decúbito ventral, em cima da mãe."


Diz a Sociedade Mineira de Pediatria:

"Há algum problema em amamentar deitada?

O aleitamento pode ser realizado mesma nesta posição sem problemas para o bebê, que inclusive tem uma maior proteção contra infecções dos ouvidos quando é amamentado. Dr Luciano."

http://www.smp.org.br/duvidas/pergunta.php?cd=1513


Diz o Manual of Pediatric Nutrition - Hendricks - Duggan - Walker BC Decker, London, 2000. Tradução: Prof. Marcus Renato de Carvalho

"Posicionamento:

. a produção ótima de leite requer uma efetiva pega (abocanhamento do mamilo e aréola) com um posicionamento adequado

. posições de amamentação: "barriga-com-barriga", posição invertida (de bola de futebol americano), ambos deitados de lado...

. importante trazer o bebê ao nível das mamas

. pode haver necessidade de apoiar a mama: mãos em "c", mãos em tesoura , mãos de bailarina

. assegurar que a mãe esteja o mais confortável e relaxada possível, oferecer travesseiros e almofadas para apoio"

http://www.aleitamento.com/a_artigos.asp?id=1&id_artigo=132&id_subcategoria=1


Dizem a UNESCO e o Ministério da Saúde:


(img:3514506377511)


(img:3514508177556)

Além dos fatores relacionados ao efeito protetor do leite materno, existe também uma explicação miofuncional que ratifica os resultados encontrados em estudos epidemiológicos mostrando que a prevalência de otite média em crianças amamentadas é invariavelmente baixa.

"WILLIAMSON et al. (1994) apresentam uma explicação bastante lógica, uma teoria miofuncional, mostrando que a forma de extração do leite do peito seria a principal forma de profilaxia às otites.

Na ordenha, o mamilo é levado até o limite entre o palato duro e o palato mole, chegando a tocar na musculatura do palato mole. Este músculo tocado, o tensor do palato, recebe o toque do bico do mamilo como um estímulo maior de contração, promovendo uma real abertura da tuba auditiva, em coordenação com os movimentos peristálticos reflexos.

Na mamadeira, esse contato direto com o palato mole não ocorre, estimulando de forma incorreta ou não estimulando o tensor do palato e, como consequência, não abrindo correta nem frequentemente a tuba auditiva, impedindo a correção da pressão dentro da orelha interna.

O efeito dessa repetida estimulação geraria secundariamente o desenvolvimento de um correto padrão de contração do tensor do palato mole, que de forma ativa passa a abrir a tuba auditiva frequentemente.

NOWAK (1995) relata em artigo, que uma das principais formas de obliteração da nasofaringe durante o processo da deglutição na mamadeira é a elevação e posteriorização da língua contra o palato mole, empurrando-o para cima e para trás, impedindo assim o refluxo do leite na cavidade nasal.

Esta talvez seja a grande diferença entre os processos de deglutição na mamadeira e no peito:
- Na ordenha, o tensor do palato mole é estimulado pelo bico para uma contração efetiva, gerando o fechamento da nasofaringe e abrindo a tuba auditiva.

- Na mamadeira, em virtude de seu curto comprimento e ausência de toque no palato mole, esse músculo não é excitado e a deglutição incorreta imposta pelo bico de borracha ou silicone acaba gerando uma substituição de função, ficando a língua responsável pelo fechamento da nasofaringe, subutilizando os músculos do palato mole e impedindo a constante abertura da tuba auditiva.

(...Concluindo) o aleitamento natural é a mais importante forma de profilaxia contra esse tipo de doença (otite).”

(CARVALHO, GD. SOS Respirador Bucal - Uma visão funcional e clínica da amamentação. São Paulo: Lovise, 2a. ed., p.142-3, 2010)

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23953241
“Fatores que podem causar recorrência da doença (otite) na população infantil são o uso de chupetas, curta duração do aleitamento materno, avanço da idade infantil, estação do inverno, infecções do trato respiratório superior e hipertrofia de adenóide. Além disso, insucesso no tratamento pode ser causado por hipertrofia de adenóide e curta duração da amamentação. Bom entendimento desses fatores pode ajudar a diminuir a taxa de recorrência e para melhorar o tratamento da doença.”

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21833752
“O leite humano fornece aos lactentes agentes antimicrobianos, anti-inflamatórios e imunomoduladores que contribuem para o perfeito funcionamento do sistema imunológico. O ato de amamentar permite interações bacterianas e hormonais importantes entre a mãe e o bebê e afeta a boca, língua, a deglutição e a tuba auditiva. Meta-análise prévia demonstrou que a falta de amamentação ou período insuficiente de aleitamento materno estão associados com risco aumentado de otite média aguda, uma das infecções mais comuns da infância. Uma revisão de estudos epidemiológicos indicam que a introdução de fórmula infantil nos primeiros 6 meses de vida está associada a aumento da incidência de otite média aguda na primeira infância.”

Todas essas autoridades recomendariam amamentar deitada se isso oferecesse risco ao bebê? Claro que não, né?

Gente, vamos nos libertar desses mitos que só servem para atrapalhar nossas vidas e impedir que sejamos felizes ao lado dos nossos bebês.

Médico que diz que amamentar deitada dá otite não entende a diferença entre mamar no peito e tomar mamadeira!

Amamentem deitadas! É uma delícia!

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